quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Caminho

O caminho sempre leva onde eu quero
O caminho pode ser traiçoeiro:
Apresenta várias opções
Mostra o óbvio da duvida
Desperta curiosidade
Leva a todos os lugares
E leva a lugar nenhum,
Claro, aos que não sabem para onde quer ir
Todo e qualquer lugar e bom
Mas numa dessas encruzilhadas,
na dúvida tudo pode ruir.

Quando tenho dúvida é quando não sei ao certo para onde quer ir. Hoje em uma parta de BR-364 sentido Cuiabá, tinha um motorista que por duas vezes tutibriou se na escolha do caminho a seguir que estava a sua direita, deu seta por duas vezes e fez menção de entrar por duas vezes, quando percebeu que se entrasse nesse caminho já perdido o tempo da entrada, iria colidir seu carro numa vala pluvial ou provocar um engavetamento de carros.

Logo pensei cá comigo, como nossas duvidas pode não somente causar perda para nós mesmo como para quem está ao nosso derredor. Para onde eu vou afinal? Que caminho devo eu tomar? Todos os dias sou forçado ou faço no automático escolhas de caminhos para onde ir. Hilário não! Não deveria o caminho ser seguro e nos levar a um local seguro? Deveras fosse! Caminhos e estradas não se preocupam com as minhas escolhas, só sabe que pode levar você onde quer que queira.

Mas, e quando não se sabe onde é, onde quer chegar, e muito menos ainda qual caminho pegar para chegar lá? Meu amigo Coco afirma que o flagelo das escolhas está no sentimento de culpa depositado no subconsciente, e a necessidade de escolher sem sentir a culpa da escolha, logo me pôs a pensar... é preciso parar! Isso, claro! Quando penso e reflito entendo o propósito da estrada posta a minha frente, sei muito bem que caminho pegar, mesmo que ele ofereça obstáculos sei, ou pelo menos, penso saber como desviar-me deles.

Credo! Mas quem danificou tanto assim esta estrada indagou Coco meu inseparável escudeiro? Fiquei surpreendido pela ingenuidade do meu amigo Coco. E disse lhe estradas são campos de batalhas os buracos nelas contidos são as feridas exposta a olho nu para que quem tenha a sensibilidade possa discernir que são locais doloridos de uma vida frustrada amarga e também de vitorias e conquistas... são as marcas de uma vida toda como se fosse os troféus de um grande rei ao mostrar aos seus súditos ao retornar da guerra dizendo mostro-lhes uma estrada danificada mas também trago dela delicias da vida para que todos aprendam que é possível superar e reconstruir. Nada se perde no caminho, tudo é lição.

As margens do caminho encontro homens e mulheres abandonados, feridos encontro e faço amigos e inimigos. No caminho faço e refaço minha vida e trajetória, no caminho vivo e encontra razoes para viver, no caminho faço uma pausa para refazer as energias e sob a frondosa figueira também cheia de cicatrizes declarações poética de um soldado ali ferido e enterrado, declarações e um amor não vivido que jamais ela ou ele saberá da sua existência, ali descanso.

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso  corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. 
É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, 
teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos. F. T. A

Pobre figueira, nunca se preocupou com suas próprias dores e cicatrizes que outros lhes fizeram e nunca dali saiu se quer centímetros para buscar consolo, mas viu todos os que por ali passou descansar sob seus ramos ouvir suas muitas vozes dores gemidos lastimas e últimos suspiros de vida e logo veio a falecer. No máximo os que ali se sucumbiram serviram de adubo para as suas raízes já cansada e fustigada pela terra seca e encalorada.

Talvez aquela tiradinha... “tudo passa, menos cobrado e o motorista do ônibus” venha ser a realidade deste caminho e da velha figueira... para a velha figueira ainda há descanso um dia, afinal ela não é eterna e, os caminhos e estradas continuará depois de séculos no mesmo lugar.




Um comentário:

  1. EMBRIAGUEM-SE

    É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.

    Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.

    E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: "É hora de embriagar-se!

    Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso. Com vinho, poesia ou virtude, a escolher".


    C.B

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