segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A luva

Que mistérios esconde as luvas?
Escondera a luva segredos?
Será mãos sujas
Seria cicatrizes
Será mãos de delicadeza
Será a sutiliza de uma mão leve?
Ou uma mão embrutecida capaz de causar terror!
Seria talvez mãos de grandezas...
Luvas e moas seria elas parceiras, amantes?
Há de se pensar... diz a maestria do dia, a luva

Olhando para um cesto cheios de novelos de linhas de cores tipos e portes das mais diversas possível, e sobre a alça do cesto havia uma luva, sozinha como que esquecida ou talvez despareada como que observando as muitas mãos que naquele cesto metia para então as linhas apreciar. Minha mente foi longe e então começou a construir um cenário de luvas, novelos de linhas e agulhas, propôs a pensar na luva figurando o cotidiano do ser, juntamente com todos os seus petrechos.

Talvez porque logo de manhã quando levanto e olho me no espelho preciso de ações que encubra aparências do meu rosto que desvendaria parte de minha, de uma noite mal dormida. Talvez, então, dou início a uma rotina frívola de barbear aparar pelo, enfim, melhorar a aparência como se fosse a luva que é como um truque de magico, tirando o foco do que é real, daquilo que revelaria de fato o que tanto queremos esconder...

Há se a luva pudesse me esconder e como que num passe de mágica seria eu mais um personagem no meio de tanto passando desapercebido no cotidiano. Quem se importa com uma luva? No recinto, talvez uma ou duas damos e com muita raridade um cavalheiro no mais, é apenas uma luva. Mas se na mão tiver uma cicatriz uniforme, todos verão e comentaram dependendo da cicatriz ficaram espantados de uma mão retalhada e isso seria o prato do dia.

Não gostamos da imperfeição, creio eu que por conta de todos os dias olharmos no espelho e vermos a imperfeição em pessoa. A mão que é tímida e retraída por conta de suas muitas marcas vive a se esconder por baixo de uma falsa pele, vive nos bastidores do pegar, segurar e soltar. É como se estivesse nu no meio do salão. Talvez Shakespeare em seus delírios e dormências chegue à conclusão:

Durma-se que as malhas da luva emaranhados de cuidados
A morte da vida de cada dia, banho de trabalho dolorido
Bálsamo da mente ferida, o segundo curso da natureza é grande,
comando nutridor no banquete da vida.” W. S

Outrora sim, a mão precisa ser livre, a luva precisa da mão para se exibir, mostrar sua elegância, traz a finesa do tecido importado, os traços da tesoura do alfaiate que só faz sob encomenda, o valor nela contido sobre o pretexto de aglutinar as socialites. Quanto vale este par de a luva? Não sei ao certo mas arrisco a dizer o valor da mão.



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