quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Quem sou eu?

Difícil de saber
Pior ainda identificar
Não dá para viver sem
Não dá para se relacionar
Perto é um tormento
Longe é um vazio
Que ser é esse, que converte e inverte
Entre a face do ser a razão do existir?
Inanimado ou imanente talvez... vai saber! A vida sabe

O mito do vampiro talvez o que melhor se enquadra na realidade humana, o sol reflete quem de fato ele é, e a permanência na luz o queima porque na realidade ele nada é além de um facho de papel inflamado; e o seu coração... há o coração... esse sim frágil corruptível desejoso insondável e malévolo, de igual modo pode ser morto com uma simples estaca cravado bem nesse órgão, porque será? Mesmo homem não sendo nada suscetível ao sol, à estaca, em especial no coração, mesmo assim pode amar e sede as paixões.
                           
Afinal de conta o que é o homem? Será como camadas de cebolas? Não pelo cheiro é claro, embora às vezes não fica tão longe o odor, todavia também não quero desmerecer a cebolas que prazerosamente aguça o paladar de muitos a mesa quando amantes de seu sabor, mas porque a dificuldade de se apresentar com de fato é? Vive às escondidas cheio de máscaras e perucas maquiando o visível para que o que está em oculto não seja mostrado.

Eu... eu...  
nem eu mesmo sei, nesse momento... eu...
enfim, sei quem eu era,
quando me levantei hoje de manhã,
mas acho que já me transformei
várias vezes desde então. L. C

Neste domingo estávamos em um grupo debatendo um assunto de ordem religiosa, ora essa não passou disso mesmo “religiosa”, onde, ao final, teríamos que falar “quem eu sou”. Assombrosamente confesso tamanha exatidão do ser humana na perspicácia de sair pela tangente sem menos deixar marca claras de “quem eu sou” ou quem ali estava. Porque será? É de se pensar!


O homem é um bicho de ordem familiar entretanto arredio, vive em grupo mas gosta da moita, porque lá ninguém o conhece e ele pode ser quem ele quiser ser, de andar nu a um assassino, me recordo bem que meu avô por parte de pai me dizia... filho, o bicho homem é como um porquinho, ele se acostuma com tudo, deixo-o na lama e ele despoja do lamaçal, lave-o coloque em uma estiva alta do chão e ele adora, tire-o da estiva e ensina-o a morar dentro de casa e ele aprende... entretanto, nunca aprendera a ser gente, sua natureza e suína. O homem sempre precisara de mascaras capas e perucas...

Em Gêneses afirma este livro milenar em seus oceanos de conhecimento e vida, que o homem fora feito imagem e semelhança de si mesmo deste divindade. Ora, teria essa divindade defeitos ou míope a ponto de ver que a quem fora feito igual a si, não está nem de longe parecido? Ou essa criatura verdugo, esse ser celeste até então, vendo sua formosura, envaideceu-se em si mesmo não reconhecendo quem o criou? Pense comigo!

Quando eu me pergunto quem sou eu,
sou o que pergunta ou
o que não sabe a resposta? G. E

Este transeunte, nos dias de hoje, vive a mercê de sim mesmo, sem destino, sem morada e sem identidade. Não sabe falar de si mesmo porque não reconhece a sim próprio e nem a quem está ao seu derredor, é impossível descrever esse deletério homo sapiens. Coco afirma que, assim como descascar cebolas arde os olhos, e em revirar suas camadas não se encontra a não ser o centro, uma frágil e fina folha, fica então a descrição sem saber ao certo do que se trata, somente um bom tempero agregado a outros para tornar ainda mais saboroso ao que se come, menos ao que se trata, e o odor impregnado nas mãos sem contar com os olhos choroso em sinal de que vale a pena.  

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