domingo, 16 de agosto de 2020

Náuseas

Fanatismo


Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..." (Livro de Soror Saudade, 1923) F. E


Certa feita ouvi uma contra fala, algo parecido; o que procuras? Então alguém respondeu... algo que não sei ao certo, o que é replicou a voz... como procura algo que não perdeu e pretendes encontrar, a caso encontrando será seu? Como poderá ser seu algo que encontra podendo ser de outro que perdeste? Se valesse realmente a pena não perderias e se achando algo que não é seu que valor dará sem ter o esforço do merece-lo? Pensando bem, acho que não ouvi isso de ninguém, pode ser arquétipo do meus pensamentos que estão a bailar no trapézio de minha imaginação.


Passei o dia hoje com meus botões a pensar sobre um sentimento notório e controverso que é o amor. Na busca incessante de definições, sentimento que pudesse aglutinar razão sentimento e a leveza do querer ser, por fim, amado trouxesse alguma luz, mesmo que um flash de luz para eu poder deixar de andar nas penumbra de minha alma para tão somente olhar o sol e dizer sobre os densos e ardentes raios da sua existência, te encontrei. Mas o que fazer quando os deuses não nos permite galgar além de nossa mera lembrança de que não somos imortais, então, resta nos uma única portinhola, regressar para as penumbras de uma alma assolada por falta das razoes e sentimentos de definições do que realmente é o amor.


No verso assim citado, fala do fanatismo do amor das fragilidades nele encontrada de como ele pode ser meramente um sentimento único em si só, e volátil em sua existência podendo estar aqui ou acola, pertencer a mim e a ninguém, dado a mim e ser retirado do direito de pertença desse amor. Mas a final de contas está no ser bicho homem o destino do desencontro dessas ações e sentimentos do amor? Como posso amar hoje e odiar daqui a pouco? Como dou meu amor a alguém e como num dia acalorado além do normal ele evapora deixando uma vaga lembrança de algo desse tipo passou ali, aliás muito rápido.


Fico a pensar nos eirado da vida, de como é incompreensível o compreendível, redundante não?! Mas é um fato real de nos bicho solto homens. Pensando assim com dores de parto em

busca da compreensão da tirania do amor implacável no peito quer seja homem ou mulher fica um sentimento não muito explicável; porque deverias eu entregar meu coração ao outro bicho humano... não seria muita sofrência por uma única razão, querer pertencer a alguém?


A covardia faz
Negar a si mesmo a capacidade de amar,

Sofrer antecipadamente uma frustração,
Omitir o sentimento, fechar o coração.
Não se achar digno da felicidade. Dona Geo


Deixo o verso de Dona por si só nos trazer a certeza daquilo que não temos, covardia ou reserva de si mesmo?

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